#25. Maio de 2026
Lançamentos, descobertas e shows do último mês: Gugs, Juliana Linhares, Manoel Cordeiro, Melly, Pedro Emílio, Tícia e mais
Maio foi um mês menos intenso musical e pessoalmente do que abril (graçazadeuz). Em termos territoriais, vocês verão que os destaques se concentraram na Bahia: Melly, Pedro Emílio e Tícia (disco lançado em janeiro, mas que descobri tardiamente, só agora-agorinha, por este motivo exerci licença poético-temporal de destacá-lo como capa da newsletter, de tão bom). Junto com o protagonismo historicamente consistente da Bahia, vocês perceberão minhas viagens musicais (e literais) ao Rio de Janeiro.
O que me leva à hipótese que eu tenho defendido em minhas aulas por aí: o paradigma nacional-popular foi sustentado basicamente por uma coalizão musical entre Rio de Janeiro e Bahia. Mas, como temos desenvolvido no Ciclo de Seminários “O que vem depois da nação? Arte e política no Brasil contemporâneo”, organizado coletivamente numa parceria entre FGV Arte e CCI/Cebrap, tal paradigma se esgotou. No caso da música, isto se evidencia em um descentramento com relação à categoria do “nacional”:
tanto “para baixo” - o que eu estou chamando de os subnacionais-populares, como os que aparecem nesta edição, as constelações baiana e maranhense, além do ecossistema musical amazônico;
quanto “para cima” - os transnacionais-populares que surgem neste mês variam entre a latinidade ou o latino-caribenho, de modo mais amplo e, mais especificamente, a língua franca do reggae.
E reparem como a MPB feita na Amazônia aqui destacada no último álbum do mestre Manoel Cordeiro, é mais um exemplo de que muitos dos elementos culturais emergentes na música brasileira dependem de uma espécie de coalizão musical Norte-Nordeste. Agora, a imaginação musical brasileira também é exercida, exercitada e experimentada pela cena paulistana em torno do Metá Metá: confiram Juçara Marçal e Kiko Dinucci em duplas com outras artistas parceiras (uma pianista e uma saxofonista, respectivamente) neste mês de maio.
Por algum motivo, o mês não foi marcado pela minha prática recorrente de percorrer discos lançados nos últimos anos, então a seção Re/descobertas foi, pela primeira vez, pulada; imagino que ela volte nas próximas edições! Por outro lado, a seção de shows está absolutamente “inchada”: talvez eu tenha exagerado, em ritmo nunca-antes-visto, e frequentei 10 eventos (incluindo dois festivais) em duas cidades diferentes (eixo Rio-São Paulo, sorry, me levem para o Norte-Nordeste e eu incluo shows por lá também). Dificilmente repetirei a dose rs. Mas aproveitem que as microdescrições densas dos shows também voltaram! E vambora para as recomendações.
Doze lançamentos de Maio* de 2026 altamente recomendados
*todas as indicações abaixo são de maio, exceto aqueles com indicação contrária entre parêntesis
1 – [álbum] Eva, Ritual (abr. 2026) [SP]
Compositora e cantora nascida em Jundiaí passeia por diferentes estilos musicais: samba, reggae, reggaeton, bossa, MPB, funk, jazz, neo soul, ijexá e “pop afro-latino”. O gatilho para a criação do álbum (produzido por Amanda Magalhães, Dudu Rezende e Marcos Maurício) foi um diagnóstico de fibromialgia que a então dançarina recebeu durante a pandemia e seu próprio processo de reconstrução de si depois de um momento muito difícil na vida. Destaque para mim foi a faixa “Amor Selvagem” (um carimbó que às vezes parece se misturar com samba), com Samuel Samuca (da banda paulistana Samuca e a Selva), que fiquei ouvindo no repeat: “Desculpa minha abordagem / Mas meu amor é selvagem / Selvagem até demais / Selvagem, eu quero mais”.
2 – [álbum] Gugs, Fruto da Terra [MA]
Diretamente da Jamaica Brasileira, vulgo São Luís do Maranhão, Gugs entrega ótimo disco de reggae (para ser mais preciso, segundo a Billboard Brasil, o álbum “aproxima reggae roots, rub-a-dub, dancehall, dub, afrobeat e hip hop”). Eu conheci o seu trabalho no ano passado, quando mergulhei na cena musical independente maranhense, cujo centro de gravidade é o coletivo Criola Beat - tratava-se de Mudando o Final da História (2024), um álbum de rap. O que demonstra, no meu entender, sua versatilidade, de forma muito consistente, passando longe de modismo ou coisa de aventureiro que circula ou salta de um estilo musical a outro, mas sim puro talento! Difícil destacar uma única faixa; gostei muito de “Deus Dará”, fiquei viciado em “Novo Dia” desde que foi lançado como single, algumas semanas antes, com participação da “dama do reggae”, Célia Sampaio, com o impactante verso: “Ilumine, dê direção / Me desprenda da vaidade / Que nada vem fácil / Vai à luta / Não há céu sem tempestade”. E como se não fosse pouco, a faixa “Não Pega” encerra brilhantemente o disco, com participações transnacionais de Mad Professor (Georgetown, Guiana) e Joe Ariwa (Londres, Inglaterra), um dub acelerado alucinante. Conclusão: um exemplo paradigmático de entrelaçamento entre uma das principais línguas francas do transnacional-popular - o reggae - e o subnacional-popular maranhense. Escutem!
3 – [single] Joyce Alane & Agnes Nunes, “Alguém Melhor” [PE e BA]
A colaboração que estávamos precisando e nem sabíamos: o encontro da pernambucana Joyce Alane (do disco Tudo é minha culpa, 2024; e do EP Casa Coração, 2025) e a baiana que cresceu na Paraíba, Agnes Nunes (do disco O Amor e Suas Variáveis, 2024; e do EP Novela, 2026) - todos trabalhos microrresenhados ou mencionados nesta newsletter. Um forrozinho delícia com letra que aborda um clássico caso de livramento: “Te fiz se achar demais, meu Deus / Quem é você pra me dizer / Que se for embora eu não vou mais viver? / Um beijo além do seu (posso ter por aí) / O cheiro que me deu (outros podem me dar) / Quando você piscar / Eu não vou tá mais só / O mundo gira e eu hei de achar alguém melhor”.
4 – [álbum] Juçara Marçal e Thais Nicodemo, Dessemelhantes [SP]
Estou com a impressão de que o piano está crescentemente ocupando um papel de relevo na expansão das fronteiras imaginativas da Música Brasileira Contemporânea, ainda mais no ano de 2026: Amaro Freitas (veja microrresenha de CRIOLO, AMARO E DINO na newsletter de janeiro), Paola Lapiccy (veja mirorresenha de Coisas Que Eu Quis Te Dizer Antes de Tudo Acabar na última edição, de abril - e aproveitem para vê-la em show na Sala B da Casa de Francisca) e, agora, Thais Nicodemo, em parceria com a grande cantora Juçara Marçal, um verdadeiro hub na cena contracultural paulistana. Composições da própria Juçara e também de outros artistas em torno da cena Metá Metá (Thiago França, Rodrigo Campos, Maria Beraldo, Romulo Fróes, Kiko Dinucci) e sua contraparte carioca (Negro Leo, maranhense radicado no Rio e casado com Ava Rocha - veja descrição de show do casal, abaixo). Pessoalmente, consegui transitar melhor entre as faixas “mais fáceis”, como “Cavaquinho” (por que será? rs) e “A gente se fode bem pra caramba”. Mas provavelmente o mais interessante do trabalho é a experimentação no instrumento: “Para a realização do trabalho, a pianista utilizou de vários objetos colocados nas cordas do instrumento, como pedaços de papéis, latinhas, pregadores e placas de metal”. Um trabalho vanguardista que merece sua audição.
5 – [álbum] Juliana Linhares, Até cansar o cansaço [RN]
Este disco está causando um alvoroço! Todo mundo com quem eu conversei sobre gostou demais; e Felipe Cordeiro chegou a escrever “E nasce um clássico da nossa época” - uma afirmação audaciosa! Do meu lado, senti que seu trabalho anterior, Nordeste Ficção (2021), foi mais impactante: um disco-manifesto que buscou musicalizar a tese historiográfica de Durval Muniz de Albuquerque Júnior de que o Nordeste é uma invenção. Já em Até cansar o cansaço existe, desde a primeira faixa, um horizonte de denunciar e dissolver o cansaço próprio da sociedade capitalista contemporânea que nos esmaga: “Vamos dançar / Até cansar o cansaço / Até que vire do avesso / Até um novo começo”. E, ao final, na última faixa, vislumbramos a saída do cansaço, primeiro dormindo, depois sonhando e, enfim, acordando: “Pra tornar o impossível real / Primeiro é preciso sonhar / Primeiro é preciso sonhar coletivamente [...] Que Nossa Senhora do Sonho nos dê uma boa noite de sono / Nos dê calor no meio do peito pra gente adormecer em paz / Sonhar com os ancestrais / E enfim acordar / Acorda / Acorda”. Musicalmente falando, a minha favorita foi “Depois do Breu”, que já havia sido lançada antes, como single. Mas destaque também para as participações especiais de Agnes Nunes, Anastácia e Ney Matagrosso. Me contem o que acharam!
6 – [álbum] Lu Faccini, Voa Noite [RS-PR]
Artista portoalegrense radicado em Curitiba lança seu primeiro álbum solo. Passeia por ritmos como samba, ijexá, maracatu, milonga e math rock. Destaque para os feats de Juliana Linhares (em “Cidade Mata”) e Ava Rocha (em “Cine Invisível”).
7 – [single] Luise Volkmann & Kiko Dinucci, “Antonico” [ALE e SP]
Como pode uma forma estética radicalizar o conteúdo melancólico do clássico samba “Antonico”, composição de Ismael Silva? Com um saxofone, uma percussão minimalista e, por fim, o canto arrastado de Kiko Dinucci, que, de repente, passa a separar as sílabas: ao fragmentar e dissolver as palavras em prol de um canto-batuque e, gradualmente, sumindo com as consoantes, até só sobrarem vogais percussivas, em um processo de desvanecimento da narrativa e do personagem, que, como sabemos “está passando por grande dificuldade”. Parece que o favor pedido de arranjar um trabalho (“uma viração”) para Nestor não foi suficiente para salvá-lo: será que ele caiu da “corda bamba”?
8 – [álbum] Manoel Cordeiro, Te Dou um Norte [PA]
Liderança intelectual da “MPB feita na Amazônia”, o mestre guitarrista Manoel Cordeiro lança um festivo disco que transita por inúmeros gêneros que compõem a articulação entre o subnacional-popular amazônico (pois não são apenas artistas paraenses que marcam presença no álbum, mas também cantoras amapaenses) e o transnacional-popular latino-caribenho: carimbó, lambada, guitarrada, cúmbia, zouk, brega, rock, cacicó, boi bragantino e marabaixo (interessante como algumas das faixas são canções e outras são instrumentais). O álbum conta com múltiplas participações especiais: Lia Sophia, Patrícia Bastos, Felipe Cordeiro (seu filho), Emília Monteiro e Lambada de Serpente - ah e o co-produtor junto com Manoel foi Gustavo Ruiz (irmão de Tulipa Ruiz). Destaque para a faixa de encerramento, uma nova versão de “Fim de Festa”, no qual Manoel aprofunda seu projeto estético de explorar pororocas sonoras: o encontro de sua guitarra paraense com a guitarra cearense de Fernando Catatau (da banda Cidadão Instigado - veja descrição de seu show, abaixo), uma trilha já percorrida em trabalho anterior, Estado de Espírito (2024), com Roberto Barreto (guitarrista do BaianaSystem) e também produzido pelo percussionista pernambucano Pupillo (ex-Nação Zumbi e marido da Céu). Uma demonstração de que o ecossistema musical amazônico, do qual Manoel é um hub, está inserido ativamente na coalizão musical Norte-Nordeste.
9 – [álbum] Melly, MAIS FORTE QUE A DÚVIDA [BA]
Minha sensação é que com o andamento da carreira, eu passei a gostar cada vez mais de Melly: seu primeiro disco, Amaríssima (2024) foi muito elogiado por público e crítica, mas não chegou exatamente a fazer a minha cabeça; depois veio Amaríssima V2 (Remix) (2025), com versões aceleradas, eletrônicas e dançantes das faixas anteriores, já tinha gostado bastante (com destaque para as versões remix de “Paraíso”, produzida por Carlos do Complexo, e “Rio Vermelho”, produzida por Manigga e Pix, com participação de Russo Passapusso). Agora, com MAIS FORTE QUE A DÚVIDA, senti que as faixas estão com um padrão de qualidade alto e consistente; entendo que foi fundamental para isto a produção concentrada por Iuri Rio Branco (envolvido em tantos e tantos discos resenhados e elogiados nesta newsletter, não dá nem para listar todos). Participações especiais de Luedji Luna e Leo Santana - o que potencializa Melly transitar com frescor e originalidade no subnacional-popular baiano, tanto pela via de um pop elegante quanto do pagodão baiano. E também de Anitta, em uma interessante troca de feats: a participação de Anitta no disco de Melly (“ELA GOSTA DE MENINA”) é muito superior à participação de Melly no álbum de Anitta (“Ternura”, em EQUILIBRIVM). Aliás, “ELA GOSTA DE MENINA” é a melhor faixa do disco: “Aquela noite foi fatal / Você acabou comigo / Falando coisas no ouvido / Aguçando meus sentidos / Sobrenatural / Me entreguei total / Nossos corpos se unindo [...] Predadora / Caiu na armadilha da caçadora / Num quarto contigo é questão de honra / Segura a onda e não se emociona”. Mas destaco também: a sambística “BEM TE VI”, a latinidade de “GOSTO MUCHO” e o sincretismo entre pagodão e música eletrônica de “DEVAGAR SEM AGONIA” (uma versão mais pop do projeto estético da banda Àttooxxá). Puxa, um dos melhores discos de maio!
10 – [álbum] Pedro Emílio, Vende-se Lembrança [BA]
Pedro Emílio entrou no meu radar com a fantástica faixa “corta pra vc” (do álbum Enquanto os Distraídos Amam, de 2025, e com participação da sempre impressionante sanfona de Mestrinho). Entre o disco com reconhecimento na seara dos prêmios e este novo álbum, talvez ele tenha deslizado de tons mais melancólicos para um clima mais solar. Em vários momentos senti um diálogo ou uma inspiração na sonoridade de Djavan (fãs nostálgicos, dêem uma chance para este artista contemporâneo!). Destaques para mim foram as faixas “Dendê” (um swing delicioso na dança entre a guitarra e a bateria) e “Coisa Gostosa”: “Pelo que eu tô vendo a vida anda / Eu tô sofrendo melhor / Tô considerando até vender lembrança / Pra não esquecer a dúvida / E me livrar da culpa / Eu te vi na rua molhada de samba / O perfeito começo / O caminho canta e a gente dança / Tô querendo besteira / Aquela brincadeira / Quero dizer coisa gostosa no ouvido / Quero fazer o nosso almoço de domingo / Eu e você já tenho tudo que eu preciso / Como esquecer o que tua boca faz comigo”.
11 – [álbum] Tícia, Vai Bater Mais (jan. 2026) [BA]
Disco que mais me impactou no mês todo! Musicalmente, minha faixa favorita foi a com o mesmo nome do álbum - ficou em looping no fone de ouvido. Cheguei graças à resenha da jornalista cultural e cientista social Pérola Mathias, em seu Instagram: Poro Aberto. Para mim, foi uma descoberta tardia de um disco lançado no primeiro mês do ano - a circulação de sujeitos e artefatos no mundo cultural tem temporalidade própria. Como diz a própria Pérola Mathias, as faixas passeiam por “batidão, ragga, dancehall” e “samba-reggae”. Eu localizo este álbum de Tícia como se inserindo, continuando e aprofundando aquele projeto estético já compartilhado por Rachel Reis; mas, em vez de tomar o pagodão baiano como eixo estruturador (considerando priotariamente os elementos emergentes presentes no disco Meu Esquema, de 2022, e no EP No Seu Radinho, de 2025, mas não no álbum Divina Casca, um retorno desviante ao nacional-popular residual), Tícia parte do samba-reggae e transita por afrobeats e afro-reggae. Deste modo, não é apenas uma questão de expressar a brasilidade através da baianidade, mas até um passo além, articulando simbolicamente o subnacional-popular baiano com o transnacional-popular da latinidade. Como a própria cantora diz num áudio que parece ter sido enviado ao seu produtor (Cuper, que trabalhou com Rachel Reis em vários singles e faixas, como o clássico contemporâneo “Maresia”): “Boa, pivete, gostei, gostei, véio, ficou massa. Nem achei que ía ficar tão bom assim, tá ligado? Mas ficou uma parada da baianidade, assim, latinidade, que o de axé também tem que ter, né? Aquelas coisas. Ficou massa, tá batendo” (faixa “Babylon By Ticia”). Discaço: dançante, envolvente e com letras carregadas de crítica social; ouçam!
12 – [single] YORI, “Realidade” [SP]
Dupla queer paulistana que ganhou o reality show TOCA Uol (já mencionado aqui em microrresenha do disco recém-lançado pela 2ª colocada, Sofia Malta) articula transversalmente a periferia da Zona Leste (Itaim Paulista) e Zona Sul (Capão Redondo). Este single, além de sincretizar belamente indie pop e afrobeat, consegue encapsular questões filosóficas, políticas e autobiográficas sem ser chato ou incompreensível: “Eu vejo uma realidade diferente que o mundo não consegue entender / O limite entre o ser e o que eu não deveria ser / O nada / Já faz parte de mim, tão forte que eu sou nada / Quase nada / O tudo / Tão distante de mim, tão longe que eu sou tudo / O que eu não deveria ser / Me cansar / O marasmo de nunca pertencer / Me enganar, esperando a mudança acontecer / Me enxergar, a distância entre olhar e compreender”. Denso, tocante… e dançante!
Outros lançamentos do mês de Maio* de 2026
*todas as indicações abaixo são de maio, exceto aqueles com indicação contrária entre parêntesis
[álbum] Ana Cacimba, Luminosa, ato 2 [SP]
[álbum] Bebé, Dissolução [SP]
[álbum] Biodz, Dr. Dun At Casaloca Deluxe [MA]
[álbum] Cami Santiz, SALINA [AM-RN]
[álbum] Dora Sanches, Seda de Casulo [MS]
[álbum] Enme, CONEXÃO JAMAICA [MA]
[single] Fabio Brazza e Noshugah, “Rosa Mais Linda” [SP e ?]
[álbum] FBC, TAMBORES, CAFEZAIS, FUZIS, GUARANAS E OUTRAS BRASILIDADES [MG]
[EP] Froid, Ao Vivo Na Sala [MG]
[single] Gaby Amarantos, “Clima de Rodeio” [PA]
[EP] Jambu, Cartas que escrevi enquanto sonhava [AM]
[álbum] João Gomes, Dominguinho 2 [PE, SE e SP]
[álbum] Lamparina, Delírio Coletivo, Vol. 1 [MG]
[álbum] Kia Sajo, Cabeça Feita [SC]
[álbum] Mombojó, SOLAR (abr. 2026) [PE]
[álbum] Os Garotin, Força da Juventude [RJ]
[álbum] Os Tropix, EMBALA PRA VIAGEM, o disco [MA]
[álbum] Tiê, Esgotada [SP]
[EP] Zaynara, Delirar [PA]
Shows* de Maio de 2026
*a numeração é anual, não mensal (por isto não começa no nº 1) - todos em São Paulo, exceto quando explicitada outra cidade
22 – [RJ] Teresa Cristina: Teresa Cristina canta Cartola | SESC Vila Mariana (teatro), 01 mai.
Fiquei surpreso ao ver que o formato era voz e violão, estava esperando uma banda completa. Acompanhamento primoroso do violonista Carlinhos Sete Cordas. E Teresa Cristina muito carismática e piadista.
23 – [PA e RJ] Gaby Amarantos; Marcelo D2: Festival Nômade | Parque Villa Lobos, 02-03 mai.
Aceitei que o corpo não aguenta dois dias integrais e seguidos de festival, então priorizei em cada dia apenas dois shows que eu já tinha visto, mas que foram muito superiores às versões anteriores. O Rock Doido funcionou mais em um ambiente aberto do que na Áudio. E o “novo samba tradicional” de D2 funcionou muito melhor do que no burguês Clube Esperia; por que será?
24 – [CE] Cidadão Instigado: Lançamento do álbum “Cidadão Instigado” | SESC Pompeia (comedoria), 08 mai.
O show foi musicalmente muito bom, gostaria de ter “estudado” a discografia anterior, que os fãs conheciam de cor. Mas destaque foram as luzes! Uma inteligente interação com o protagonismo de Fernando Catatau e sua guitarra.
25 – [RJ] Odette apresenta Ava Rocha e Negro Leo | Casa Odette, 09 mai.
Celebração musical e afetiva do casamento e parceria criativa de dois expoentes da contracultura carioca. Foi interessante o modo como o casal convidou a pequena plateia (a Casa Odette é um casarão no Bixiga, o ambiente mais intimista em termos de shows musicais que eu já conheci) a compartilhar de sua própria intimidade, o que revelou pequena divergência entre eles sobre a concepção do show: ela, mais enraizada na canção (mesmo que subversiva, ao seu modo, em especial na capacidade cênica e de improvisação com objetos e o próprio corpo), e ele, mais radicalizando na experimentação. Tudo muito bonito: a discordância não foi motivo de desencontro, mas de fricção imaginativa.
26 – [SP] Ana Cacimba: Luminosa | SESC Pinheiros (auditório), 13 mai.
Lançamento do segundo volume de Luminosa. Destaques foram mais as suas músicas já conhecidas, do volume 1 ou singles anteriores. E o ápice foi a criação de uma grande roda, envolvendo toda a plateia em uma ciranda coletiva e a performática distribuição de flores.
27 – [MA] Núbia: Sabores | SESC 24 de Maio (teatro), 15 mai.
Graças à sua escolha pelo edital da Natura Musical, a cantora e compositora de reggae tem podido circular pelo país apresentando seu maravilhoso disco Sabores (2024). Uma 6a feira chuvosa que foi compensada com a animação da performer, da banda e da audiência, dançando pelos corredores.
28 – [PE] Alessandra Leão: Acesa | SESC Belenzinho (comedoria), 16 mai.
Excelente show de um discaço de uma baita artista. Entrelaçando percussão orgânica e instrumentos eletrônicos, Alessandra Leão faz “macumbeats” muito antes da Anitta bombar nesta seara. Dancei como poucas vezes e recomendo fortemente que o público sesqueiro se aproprie mais da unidade Belenzinho, sempre com uma ótima programação e, em vários momentos, sub-utilizado pelos usuários.
29 – [RJ] Henrique Cazes e filhos: 50 Anos de Cavaquinho: o som e as histórias | Acaso Cultural (Rio de Janeiro), 22 mai.
Uma viagem no tempo! Objetivamente, pois o grande cavaquinista e exímio contador de causos [storyteller] passeou por toda sua carreira, como músico, compositor, professor e pesquisador - com a cereja do bolo ser acompanhado no violão e no pandeiro por seus filhos gêmeos. Subjetivamente, revisitei o meu passado no cavaquinho (meu professor usava por vezes o livro-método de Cazes, mas até então eu era ignorante da sua relevância histórica como um todo).
30 – [RJ] Alice Caymmi: festival Remexe Rio | Praça XV (Rio de Janeiro), 24 mai.
Passei abril e maio viciado nas versões latino-caribenhas e atualizadas via bateria eletrônica das músicas de Dorival, um projeto estupendo de sua neta, Alice. Por uma coincidência do destino, eu estava na Cidade Maravilhosa e pude usufruir de um show gratuito que bizarramente não estava lotado. Pontos para o caráter subversivo desta Caymmi que, para choque dos espectadores mais tradicionalistas, inseriu uns rocks pesados no meio do repertório. Ápice foi poder ouvir ela acompanhada de percussão e bateria orgânicas, deu um tchan nas músicas, encarnando toda a potência do disco. Não percam este show quando ela voltar a São Paulo!
31 – [CE] Don L: Caro Vapor II | Cine Joia, 29 mai.
Terceira vez que eu fui conferir “o favorito do seu favorito” apresentando seu último álbum, um libelo anticapitalista e anti-imperialista. Até agora o espaço mais propício para o show foi o primeiro, na Áudio (com estrutura para as projeções audiovisuais adequadas ao capitalismo tardio). E achei interessante como os cantores que o acompanham (Alt Niss e Terra Preta) foram ganhando protagonismo. Vai rolar novo show, na Casa Natura, viu?
Cartografia da imaginação musical brasileira
Por onde viajei em mai. 2026?
NORDESTE
– BA (x4): Agnes Nunes, Melly, Pedro Emílio, Tícia
– CE (x2): Cidadão Instigado, Don L
– MA (x2): Gugs, Núbia
– PE (x2): Alessandra Leão, Joyce Alane
– RN: Juliana Linhares
SUDESTE
– RJ (x6): Alice Caymmi, Ava Rocha, Henrique Cazes, Marcelo D2, Negro Leo, Teresa Cristina
– SP (x6): Ana Cacimba, Eva, Juçara Marçal, Kiko Dinucci, Thais Nicodemo, YORI
NORTE
– PA (x2): Gaby Amarantos, Manoel Cordeiro
SUL
– RS: Lu Faccini





